HISTÓRIA

Entre os anos de 1918 e 1920, as terras férteis do Norte Novo do Paraná começaram a atrair inúmeros desbravadores e posseiros, porém, foi a partir de 1924 que o município de Sertanópolis começou a ser povoado por algumas famílias vindas do Estado de São Paulo, em grande parte formada por imigrantes portugueses, italianos e espanhóis. Tornaram-se proprietárias de terras, aproveitando o regime oficial de colonização, em face à crescente expansão econômica e social de São Paulo, pois viram nas terras de Sertanópolis excelente qualidade para a cultura do café.

Em 1923 chegou uma comitiva enviada pelo concessionário das terras, Coronel Leopoldo de Paula Vieira proprietário da Companhia Colonizadora do Tibagy LTDA, para iniciar a demarcação dos lotes. Destacam-se os agrimensores MANOEL RABELLO LOUREIRO DOS SANTOS e LUDOVICO SURJUS. Veio também o agenciador de terras LUIZ DELIBERADOR, que ateou fogo no mato derrubado e foi feito o alinhamento da primeira praça da cidade, que atualmente chama-se Praça João XXIII, a mais ou menos duzentos metros da margem esquerda da água da Taboca. Assim teve início à colonização da “Cidade Sertão”, isto é, Sertanópolis. Antes toda a região era denominada pelos índios Caingangues de “Potiguará-Tibagi Panema” que em tradução não literal seria “Grande ave do rio que chora”, em referência as corredeiras do Rio Tibagi.

O primeiro pioneiro que se tem notícia foi o posseiro FRANCISCO GREGÓRIO DA SILVA, que já morava às margens da água da Taboca, num rancho de palmito, nas imediações do atual campo de aviação. Sabe-se também que outras famílias de posseiros já habitavam as margens do Ribeirão Couro do Boi e do Ribeirão do Cerne. Também se destacam alguns pioneiros, entre eles: Joaquim Felipe de Sousa, João Reichert, Sebastião Antunes do Prado, José Fagundes, Francisco Deliberador, Saturnino Borges Teixeira, Joaquim Bueno da Silva, Aristide Menk, Lourenço Antonio da Veiga, João Augusto Pereira, Antonio Romanim e as famílias: Pescador, Casagrande, Matesco, Almeida, Pissinatti, Fernandes, entre outras.

Em 1926 a Colônia de Sertanópolis possuía cerca de 50 moradias, 5 casas comerciais, uma pensão de propriedade do Sr. José Fagundes que passou a ser a primeira hospedaria, uma farmácia e uma máquina de beneficiar arroz. Já em 1927, outro estabelecimento de hospedagem era inaugurado pela Sr. Maria Procópia de Souza.

O desenvolvimento da Colônia, propiciado pela fertilidade do solo, atraiu muitas famílias, o que levou a ser criado, em 1926, um distrito policial e, um ano depois, o distrito judicial. Em 1929, a Colônia já possuía uma população de 500 pessoas e, a 10 de abril, criava-se o município de Sertanópolis através de um decreto estadual. Gurgêncio Celso de Mattos, que chegara junto com D. Maria Procópia de Souza, foi o primeiro funcionário público a ser contratado em 4 de abril de 31, por 90 mil réis mensais, para “carpa nas ruas desta villa”. Entretanto a quebra da bolsa em 1929, as revoluções de 1930 e 1932, geadas, chuvas fortes e prolongadas, inexistência de estradas transitáveis resultaram em um êxodo de grandes proporções. Em 1930, por exemplo, o prefeito teve que devolver seu salário de 650 mil réis aos cofres da prefeitura em decorrência da grande crise financeira. Assim, a estagnação na vila fez com que o município retornasse à categoria de distrito, voltando a pertencer à Comarca de Jataí, hoje Jataizinho, em maio de 1932. Dois anos depois, com as primeiras cargas dos cafezais melhorando a situação financeira de todos, junto à união e trabalho dos moradores que permaneceram, propiciou-se, uma atividade dinâmica e empreendedora: Foram criados muitos pequenos engenhos produtores de açúcar, desenvolveu-se a cultura de suínos e a produção agrícola encontrou, no nascente município de Londrina, mercado acessível para a venda da produção. Tudo isso, aliado a um comércio atuante, fez com que em 6 de junho de 1934 Sertanópolis recuperasse, em definitivo, sua autonomia municipal. Entretanto a Comarca da cidade somente foi criada em março de 1944 e instalada solenemente no dia 19 de abril do mesmo ano. Em 1947, Sertanópolis sofreu seu primeiro grande desmembramento com a criação dos municípios de Bela Vista do Paraíso, Ibiporã, Jaguapitã, Jataizinho e Porecatu. Em 1951, uma nova ruptura criava o município de Primeiro de Maio.

ORIGEM DO NOME

A denominação SERTANÓPOLIS, é a junção do termo "Sertão" e do sufixo grego "PÓLIS", que significa cidade. É referencia a existência de enormes florestas e sertões, na região, ao tempo da colonização do município. Cidade do Sertão.

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

Desde o início da colônia o desenvolvimento econômico do município se deu pela agricultura, primeiro do café e depois culturas brancas, como a soja e o trigo. Após anos de sua formação o município já apresentava os primeiros sinais de diversificação econômica, nos ramos da indústria e de serviços, além da multiplicação no setor agropecuário.

Mesmo a crise enfrentada pela agricultura na década de 70, com a consequente decadência das lavouras de café, não abateu a pujança agrícola do município, e sua população, não sofreu uma diminuição significativa.

CURIOSIDADES

  • O primeiro registro de nascimento foi expedido em nome de Antonio Casagrande Pescador (filho de Pedro Pescador e Vitória Casagrande) no dia 27 de setembro de 1928).

  • José Matesco e Elvira Maria da Conceição no dia 20 de outubro de 1928 foram os primeiros a celebrarem casamento efetuado em Sertanópolis.

  • O primeiro óbito foi o de Antonio Refundini (menor) filho de Angelina Rossato e Emílio Refundini no dia 28 de dezembro de 1928.

  • Em 14 de junho de 1928 foi dada a primeira aula, ministrada pela primeira professora Sra. Antonia Fernandes.

  • A Paróquia de Santa Terezinha do Menino Jesus foi criada no dia 14 de junho de 1929, por decreto de D. Fernando Tadei, Bispo de Jacarezinho, nesse mesmo dia foi realizado o primeiro batizado, sendo este o de uma menina com o nome Maria.

  • A primeira estação para embarque e recebimentos de mercadorias de Sertanópolis era a Estação Ferroviária de Frei Timóteo.

  • A primeira professora formada a lecionar no Município foi a Sra. Mariana Dias Ayres (Dona Mary) esposa do médico Dr. João Dias Ayres.

  • O pioneiro Manoel Ferreira Gomes foi quem instalou (em sociedade) a primeira Serraria de Sertanópolis no ano de 1932. Foi preciso que juntamente com seus sócios construíssem a balsa sobre o rio Tibagi para o transporte dos equipamentos, pois, a estrada de ferro só havia chegado à época até Jataizinho. Participou na II Grande Exposição de Curitiba no ano de 1934, e foi condecorado com o Diploma de Honra ao Mérito e Medalha de Ouro, pela qualidade das madeiras beneficiadas que representaram no evento o Município de Sertanópolis.

  • O primeiro médico a residir no Município foi o Dr. Pedro Daros.

  • Uma viagem de Sertanópolis a Assis-SP, em épocas de chuva durava de 28 a 30 dias.